Abstract
Este artigo analisa o interdito e a transgressão em Carmilla, de Sheridan Le Fanu, articulando o erotismo de Georges Bataille à história da sexualidade e às relações de gênero. A leitura histórica de cenas de aproximação, adoecimento e execução identifica uma disputa pela autoridade sobre o corpo e o relato de Laura. Sustentamos que a ordem tutelar combate a violência da vampira mediante uma violência legitimada, sem eliminar a ambivalência do desejo na memória da narradora. O confronto entre ficção, contexto de publicação e discursos sobre a sujeição feminina permite historicizar essa tensão. Ao final, a circulação digital da obra abre uma perspectiva de pesquisa sobre adaptações e comunidades de recepção.