Abstract
A agricultura familiar desempenha papel estratégico na segurança alimentar e nutricional no desenvolvimento rural sustentável no Brasil, tendo a produção de alho na região do Contestado, em Santa Catarina, como exemplo de atividade marcada por paradoxos e desafios. Este artigo analisa a sustentabilidade dessa cultura sob a perspectiva do modelo Triple Bottom Line (TBL), que integra dimensões econômica, social e ambiental. A pesquisa qualitativa e descritiva, foi realizada em 2024 e utilizou entrevistas semiestruturadas com dez agricultores familiares e seis técnicos e pesquisadores, além de observações de campo e análise documental. Os resultados evidenciam que, embora o alho apresente elevada relevância econômica e forte enraizamento sociocultural, sua sustentabilidade é limitada por fatores interdependentes. Na dimensão econômica, destacam- se os elevados custos de produção, a volatilidade de preços e a dependência de insumos externos. Na dimensão social, a atividade contribui para a coesão comunitária e a preservação de saberes tradicionais, mas enfrenta dificuldades relacionadas à sucessão familiar e à saída de jovens do meio rural. Na dimensão ambiental, observam- se limitações na adoção de práticas sustentáveis, especialmente no manejo do solo e na redução do uso de insumos. A análise integrada revela paradoxos entre a relevância econômica da atividade e suas limitações ambientais, bem como entre sua importância cultural e a fragilidade de sua continuidade geracional. Conclui-se que a sustentabilidade da produção de alho depende de ações integradas que conciliem estas dimensões, incluindo políticas públicas mais articuladas, ampliação do acesso a tecnologias apropriadas, fortalecimento da assistência técnica e valorização da produção local.