Abstract
Introdução: Cefaleia pós-trauma é sequela frequente de lesão cerebral, podendo ocorrer também como sintoma da síndrome pós-concussão. Após lesão cerebral traumática, alguns pacientes apresentam cefaleia aguda de curto prazo (<3 meses), enquanto em outros é persistente. É queixa frequente após traumatismo cranioencefálico (TCE), com sintomas variáveis e que geram morbidades. Vários fatores de risco estão associados como: idade < 60 anos, sexo feminino, TCE anterior, dores de cabeça prévias, condições psiquiátricas comórbidas. O TCE pode causar efeitos imediatos de contusão cerebral, dano dos vasos sanguíneos cerebrais e cisalhamento axonal, com cascata secundária de alterações excitotóxicas e inflamatórias metabólicas e celulares que podem promover o desenvolvimento de cefaleia. Objetivo: discutir cefaleia pós-traumática e suas características. Metodologia: Revisão de literatura a partir de bases da Scielo, da PubMed e da BVS, de março a maio de 2024, com descritores “Headache e “Post-trauma”, cadastrados no DeCS/MeSH e operador “AND”. Incluíram-se artigos de 2019-2024 (total 66), com exclusão de outros critérios e escolha de 05 artigos na íntegra. Resultados e Discussão: Os sintomas são variados, mas semelhantes às síndromes de cefaleia primárias, sendo mais comum a enxaqueca e do tipo tensional (75%). É diagnóstico clínico feito em paciente sintomático com início de dor dentro de 7 dias após TCE quando a síndrome de cefaleia não é explicada por outro diagnóstico. Quando aguda, pode durar até 3 meses; se não, é crônico ou persistente. Gatilhos e fatores agravantes: luzes brilhantes, estresse e falta de sono. Sintomas pós-concussão incluem: fadiga, tontura, dificuldades de sono, comprometimento da concentração e convulsões. Depressão, ansiedade e insônia ocorrem com frequência após lesão cerebral traumática (TCE) e cefaleia pós-traumática. As técnicas de imagem clínica só são realizadas para descartar hemorragias intracranianas, hemorragias peridurais ou subdurais e fratura do crânio. O tratamento agudo é sintomático, com analgésicos simples. Se crises intensas, utilizamos triptanos ou derivados de ergotamina. Para aqueles com sintomas persistentes ou refratários, há indicação de profilaxia com anti-hipertensivo ou antidepressivos (amitriptilina/venlafaxina). Alguns pacientes com quadro agudo podem resolver espontaneamente a dor com ou sem tratamento. No entanto, para outros, a cefaleia pós-traumática pode ser crônica e exigir maior manejo. Sua história natural não é tão bem descrita, bem como dados de prognóstico são escassos. Conclusão: A cefaleia pós-traumática é comum após traumatismo cranioencefálico (TCE). É diagnóstico clínico e pode ter ampla repercussão na qualidade de vida. O manejo adequado auxilia na diminuição das crises e na diminuição de sua cronificação.