Abstract
Introdução: Sepse é resposta desregulada à infecção. Pode ser tão grave e virar choque séptico, com grande mortalidade (40%). As prioridades dentro de 45 minutos idealmente são: proteção de vias aéreas, correção de hipoxemia, administração precoce de fluidos e antibióticos. O chamado “pacote sepse” deve ser pedido: exames laboratoriais de rotina (hemograma completo, painel eletrolítico, função hepática, estudos de coagulação, dímero D); lactato sérico; gasometria arterial; hemoculturas (aeróbicas e anaeróbicas); urina; imagem de focos suspeitos (RX/TC). As hemoculturas devem ser sempre coletadas antes do início do antibiótico. Objetivo: discutir avaliação e tratamento de sepse e choque séptico em adultos. Metodologia: Revisão de literatura integrativa a partir de bases da Scielo, da PubMed e da BVS, de janeiro a abril de 2024, com descritores “sepsis”, “septic shock” e “adults”, cadastrados no DeCS/MeSH e operador “AND”. Incluíram-se artigos de 2019-2024 (total 193), com exclusão de outros critérios e escolha de 05 artigos na íntegra. Resultados e discussão: A reposição volêmica começa na primeira hora com cristaloides (soro fisiológico ou ringer lactato) na taxa de 20-30 ml/kg, a qual deve ser concluída nas primeiras três horas. Deve-se buscar pressão arterial e perfusão tecidual estavéis, evitando edema pulmonar ou ausência de resposta com necessidade de droga vasoativa (em choque propriamente). A pressão arterial média deve ser de 60-70 mmHg e débito urinário ≥0,5 mL/kg/hora. A antibioticoterapia deve ser de amplo espectro o mais rápido possível, cobrindo organismos gram-negativos e positivos e, se suspeito, contra fungos e vírus. Se choque séptico por gram-negativos, é preciso associar dois antibióticos de classes diferentes para garantir o tratamento eficaz de organismos resistentes. Até resposta clínica definitiva, o lactato sérico é importante no monitoramento da perfusão tecidual, devendo ser pedido a cada seis horas até sua normalização. Para pacientes refratários e que permanecem hipotensos, há indicação de droga vasoativa (preferencial é a norepinefrina); bem como de terapias adicionais (glicocorticoides, inotrópicos, transfusões de sangue). Geralmente se indica transfusão de hemácias para hemoglobina <7 g/dL. Para aqueles que respondem bem, a terapia antimicrobiana deve ser direcionada ao patógeno encontrado por curso de 7-10 dias, embora cursos mais longos sejam apropriados para pacientes selecionados. Conclusão: A sepse e o choque séptico são condições de emergência médica, com alta gravidade e mortalidade. Seu manejo deve seguir os protocolos estabelecidos para aumentar a chance de sobrevivência e diminuir morbidades ao paciente. O reconhecimento e diagnóstico clínico é determinante no seu prognóstico e sucesso terapêutico.