Abstract
Este artigo investiga o gerenciamento de impressões e o trabalho de face (face-work) de Jair Messias Bolsonaro em contextos de crise institucional, especificamente durante os desdobramentos de sua prisão preventiva em 2025. Fundamentado na perspectiva dramatúrgica de Erving Goffman (1959, 1967), o estudo analisa como um ator político de alta visibilidade mobiliza diferentes máscaras sociais para mitigar ameaças à sua face moral em cenários de assimetria de poder. O corpus documental compreende dois registros microinteracionais distintos: (1) o diálogo com a autoridade policial acerca da violação de dispositivo eletrônico e (2) o Termo de Audiência de Custódia perante a magistratura. A metodologia, de natureza qualitativa e interpretativista, foca na análise de veículos de sinais (sign-vehicles), como hesitações paralinguísticas, escolhas lexicais mitigadoras e ajustes na performance narrativa. Os resultados demonstram uma alternância estratégica de "máscaras” – de “inocência performada" e de "réu formal e obediente" –, cujas inconsistências narrativas revelam a fragilidade da performance sob vigilância judicial. Conclui-se que a gestão identitária em contextos de responsabilização legal opera como um processo calculado de ajuste interacional, essencial para a preservação da legitimidade política diante da transição do papel de líder para o de custodiado.
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