Abstract
Este artigo analisa comparativamente as percepções de três grupos de stakeholders — comunidade local (n=26), poder público municipal (n=5) e empresas do setor eólico (n=3) — sobre as transformações socioeconômicas decorrentes da implantação de parques eólicos em Campo Formoso, Bahia. A pesquisa adota uma abordagem de métodos mistos, integrando análise quantitativa mediante questionário em escala Likert (15 itens, três dimensões) com regressão logística ordinal e Análise Crítica do Discurso (ACD). A validação do instrumento apresentou elevada consistência interna (α de Cronbach = 0,982 global). O Índice Composto de Impacto Socioambiental (ICIS) revelou assimetrias perceptivas significativas: empresas (ICIS = 4,11; Alto), poder público (ICIS = 2,88; Moderado) e comunidade local (ICIS = 2,10; Moderado). A regressão logística ordinal confirmou que o pertencimento grupal é preditor estatisticamente significativo das percepções (p < 0,001), com odds ratios de 2,59 para o poder público e 10,05 para as empresas em relação à comunidade. A ACD revelou estratégias discursivas de legitimação empresarial, ambivalência do poder público e invisibilização das experiências comunitárias. A triangulação dos métodos evidencia que as assimetrias perceptivas refletem relações desiguais de poder nos territórios eólicos, configurando dimensões de injustiça distributiva, procedimental e de reconhecimento. Os resultados contribuem para o debate sobre transições energéticas justas e governança territorial inclusiva no semiárido brasileiro
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