Abstract
Este artigo objetiva refletir sobre a concepção de educação integral e(m) tempo integral a partir da análise das principais correntes ideológicas em incidência no campo educacional brasileiro desde o século XX. A investigação justifica-se pela necessidade de compreender como diferentes matrizes político-ideológicas produziram sentidos distintos para a integralidade e influenciaram políticas públicas contemporâneas. Metodologicamente, desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa, ancorada em revisão bibliográfica e análise documental, com suporte teórico em autores como Coelho (2005, 2009), Cavaliere (2010), Peroni (2007, 2019), Oliveira (2017), Laval (2019), Gallo e Ferreira (2021), além de documentos normativos que orientam a expansão da educação em tempo integral no país. A análise evidenciou que cada matriz político-ideológica (socialista anarquista, conservadora-integralista, liberal-pragmática e gerencialista) construiu concepções próprias de educação integral, moldando diferentes modelos de formação humana. Constatou-se que as políticas contemporâneas apresentam caráter híbrido, marcado pela mescla e pela tensão entre esses referenciais, o que contribui para contradições conceituais e práticas. Conclui-se que o Brasil ainda não consolidou um projeto de educação integral emancipatório, reforçando a importância de compreender criticamente essas matrizes para orientar políticas coerentes com a formação humana integral.
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