Abstract
Neste artigo, buscou-se analisar a categoria interesse como elemento estruturante para a compreensão da concepção de educação em Paulo Freire, estabelecendo um diálogo com a Teoria Crítica da Educação. Parte-se do entendimento de que, embora essa categoria não seja desenvolvida de forma sistemática pelo autor, ela se manifesta em sua obra como fundamento da prática educativa emancipatória e de sua compreensão da educação como prática da liberdade. A análise orienta-se pelos pressupostos da Teoria Crítica da Educação, compreendendo o conhecimento como uma construção histórica relacionada aos interesses constitutivos da ação humana e, portanto, como terreno de disputas e resistências. Buscou-se evidenciar que a categoria interesse permite interpretar a educação como uma prática social historicamente situada, atravessada por relações de poder, disputas de racionalidade e condicionantes sociopolíticos que incidem sobre a produção do conhecimento. Metodologicamente, desenvolveu-se um estudo de natureza teórica, fundamentado em revisão bibliográfica, tomando como principais referenciais as contribuições de Paulo Freire e Jürgen Habermas, em diálogo com Dermeval Saviani, Peter McLaren e Erenildo Carlos. Assume-se a Teoria Crítica da Educação como perspectiva interpretativa, em oposição às concepções que atribuem neutralidade ao conhecimento. Conclui-se que a pedagogia freireana se fundamenta em um interesse emancipatório que orienta o diálogo, a problematização e a conscientização como mediações da prática educativa, evidenciando sua potência para a formação de sujeitos autônomos, críticos e comprometidos com a transformação da realidade social.