Abstract
Introdução: A distócia de ombros é uma emergência obstétrica que se dá pela impactação do ombro fetal na pelve materna. O ombro anterior se encaixa na sínfise púbica após o nascimento da cabeça. É fundamental que o profissional tenha conhecimento sobre a biomecânica da distócia de ombros para orientar a utilização das manobras e evitar a tração cefálica indiscriminada, que está associada ao risco de complicações neonatais, sendo a principal delas a lesão de plexo braquial. Objetivo: Analisar a tração cefálica, as manobras rotacionais e os princípios biomecânicos que fundamentam a aplicabilidade dessas manobras na resolução da distócia de ombros, com base nas evidências científicas atuais. Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada por meio das bases PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde e LILACS. Foram incluídos artigos originais e de revisão, publicados entre 2021 e 2026, em português e inglês. A seleção ocorreu mediante triagem de títulos e resumos, seguida da leitura na íntegra dos estudos elegíveis. Diretrizes nacionais e internacionais foram utilizadas como material complementar. Resultados e discussão: As manobras rotacionais atuam por diferentes mecanismos como modificação da configuração pélvica materna, a rotação dos ombros fetais e a redução do diâmetro biacromial. Embora as manobras de McRoberts e Rubin I sejam tradicionalmente priorizadas como manobras iniciais, as manobras internas apresentaram taxas de sucesso relevantes, especialmente o parto do ombro posterior. A tração cefálica indiscriminada foi associada a desfechos neonatais desfavoráveis, sendo a principal delas a lesão do plexo braquial. Conclusão: A compreensão da biomecânica pode favorecer uma resolução eficaz e individualizada das manobras e evitar a tração cefálica inadequada. Entretanto, ainda existem lacunas quanto à eficácia comparativa das técnicas e à definição de uma sequência algorítmica baseada em evidências robustas.