Abstract
A relação entre condições meteorológicas e notificações de síndrome respiratória aguda grave apresenta relevância para a vigilância em saúde, mas permanece marcada por diversidade climática, etiológica e territorial. Objetivou-se analisar associações entre variáveis meteorológicas e notificações mensais de síndrome respiratória aguda grave nas macrorregiões brasileiras. Realizou-se estudo ecológico de painel com 3.619.741 notificações registradas em 2016 a 2018 e 2020 a 2022, organizadas em 360 observações de mês, ano e macrorregião. Dados epidemiológicos oriundos do Sinan Web Influenza e do SIVEP Gripe foram integrados a informações do Instituto Nacional de Meteorologia. Empregaram-se análise descritiva por quartis intra região e ano, correlações de Spearman e regressão binomial negativa multivariada, com modelos estratificados e análise de sensibilidade com offset populacional. Velocidade máxima do vento, velocidade média do vento, temperatura média e pressão atmosférica apresentaram associações ajustadas com as notificações no modelo nacional, enquanto dias com precipitação e precipitação total não permaneceram independentemente associados. Interações entre velocidade máxima do vento, temperatura média e pressão atmosférica evidenciaram efeitos condicionais. Os modelos regionais revelaram configurações associativas distintas, sem indicar limiares meteorológicos nacionais. A pandemia coincidiu com aumento expressivo das notificações e com mudanças estruturais na circulação viral, na vigilância e na mobilidade. Conclui-se que as variáveis meteorológicas podem contribuir para a contextualização regional da vigilância respiratória, mas os achados não estabelecem causalidade, risco individual ou aplicação preditiva imediata.