Abstract
O estudo investiga experiências de autodiagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) entre estudantes de Medicina e sua relação com resultados de rastreio pelo ASRS-18. Objetivou-se identificar indicadores de TDAH, comparar a autopercepção diagnóstica dos participantes com os resultados do rastreio e verificar a influência de conteúdos digitais nesse processo. Trata-se de uma pesquisa exploratório-descritiva, de abordagem quali-quantitativa, realizada com estudantes do primeiro ano de Medicina. Dos 60 estudantes da turma, 25 atenderam aos critérios de inclusão, caracterizados pelo relato de autodiagnóstico de TDAH sem diagnóstico profissional prévio. Os participantes responderam ao ASRS-18 e a uma entrevista semiestruturada, com análise dos dados por frequências, porcentagens e categorias temáticas. Na Parte A do ASRS-18, 18 participantes (72%) apresentaram resultado positivo para rastreio. A análise complementar dos critérios relacionados ao início dos sintomas, contexto, prejuízos e informações disponíveis resultou em seis participantes (24%) com resultados compatíveis com o conjunto de critérios analisado. Quanto à origem das percepções sobre TDAH, 11 participantes (44%) relataram contato com conteúdos digitais ou redes sociais. Os achados evidenciam diferença entre a identificação de sintomas e uma avaliação mais ampla, ressaltando a importância de considerar aspectos históricos, contextuais e funcionais. A exposição a conteúdos digitais pode contribuir para interpretações diagnósticas a partir de dificuldades cotidianas, reforçando a necessidade de avaliação sistemática.