Abstract
A aspiração traqueal é procedimento rotineiro e invasivo em neonatos sob ventilação mecânica invasiva em unidade de terapia intensiva neonatal, necessário para manter a via aérea. Este estudo comparou os sistemas de aspiração traqueal fechado e aberto quanto à estabilidade hemodinâmica e respiratória, à infecção respiratória associada à ventilação mecânica, à dor neonatal e ao tempo de ventilação e internação. Foram analisados quarenta e nove artigos das bases PubMed e MEDLINE, dos quais doze ensaios clínicos randomizados foram selecionados, com amostra superior a quatrocentos neonatos e elevada concordância entre os dois revisores. O risco de viés foi avaliado pela ferramenta Cochrane RoB 2, e a certeza da evidência pela abordagem GRADE. A maioria dos estudos apresentou algumas preocupações de viés, associadas a atrito amostral pós-randomização e a ausência de cegamento em desfechos subjetivos. Observou-se, para a estabilidade hemodinâmica e respiratória, sinal consistente de benefício do sistema fechado em neonatos de extremo baixo peso, com heterogeneidade relacionada à idade gestacional e ao modo ventilatório. Os desfechos de infecção e de dor neonatal apresentaram resultados semelhantes entre os sistemas, assim como o tempo de ventilação e internação, avaliados em número reduzido de ensaios. A evidência disponível oferece suporte limitado a recomendar um sistema sobre o outro para a generalidade dos neonatos em UTIN, ainda que haja sinal de benefício do sistema fechado em extremo baixo peso, associado a certeza de evidência muito baixa. A dor neonatal permanece o desfecho menos estudado e o mais urgente para investigações futuras com poder estatístico adequado.