Abstract
A ciência é frequentemente compreendida, tanto no senso comum quanto em determinados discursos acadêmicos, como um campo produtor de verdades definitivas e indiscutíveis. No entanto, abordagens epistemológicas contemporâneas têm questionado essa visão ao enfatizar o caráter falível, histórico e crítico do conhecimento científico. Nesse contexto, o presente artigo tem como problema epistemológico investigar de que modo a concepção de ciência proposta por Alberto Oliva tensiona a noção tradicional de ciência como produtora de verdades absolutas, ao defender a falibilidade do conhecimento científico e o ceticismo organizado como fundamentos da racionalidade científica. O objetivo consiste em analisar as principais concepções epistemológicas do autor, com ênfase no ceticismo organizado, na crítica ao epistemologismo e na relação entre ciência e contexto social. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza teórico-bibliográfica, fundamentada na análise interpretativa de obras centrais de Oliva e de entrevistas concedidas pelo autor. A análise sugere que a perspectiva epistemológica de Oliva contribui para uma compreensão crítica da ciência, ao reafirmar sua racionalidade sem absolutizá-la, enfatizando o papel da crítica, da revisão permanente e da historicidade na produção do conhecimento científico.