Abstract
Introdução: a imunização de indivíduos imunossuprimidos envolve particularidades imunológicas e clínicas, além de fatores assistenciais, estruturais e comportamentais que podem interferir no acesso e na realização oportuna da vacinação no Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivo: analisar os fatores que condicionam a imunização de indivíduos imunossuprimidos no contexto do SUS, considerando as particularidades imunológicas e clínicas, as barreiras assistenciais e estruturais, a hesitação vacinal e as lacunas na produção de evidências científicas. Métodos: realizou-se uma revisão narrativa de caráter interpretativo, fundamentada em publicações recuperadas na SciELO e na MEDLINE, via PubMed, além do Google Scholar, divulgadas entre 2015 e 2026, nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram incluídos artigos científicos originais e de revisão, documentos institucionais, manuais técnicos e trabalhos acadêmicos relacionados ao tema, analisados qualitativamente segundo os eixos definidos para a revisão. Resultados e discussão: a literatura analisada indica que a resposta vacinal varia conforme o grau de imunossupressão, a doença de base e as terapias empregadas, tornando necessária a avaliação individualizada da indicação, da segurança e do momento da vacinação. No contexto do SUS, foram descritas barreiras assistenciais relacionadas à articulação entre os serviços, à qualificação profissional e à continuidade do cuidado, além de fragilidades estruturais relacionadas à distribuição territorial dos serviços e à disponibilidade de imunobiológicos especiais. Parte das evidências estruturais disponíveis, entretanto, deriva de populações não especificamente imunossuprimidas. A hesitação vacinal envolve fatores relacionados à confiança, ao acesso à informação, às incertezas associadas à condição clínica e à orientação profissional, embora as evidências específicas para indivíduos imunossuprimidos se concentrem em subgrupos e contextos determinados. Persistem, ainda, lacunas na produção de evidências diretamente aplicáveis aos diferentes perfis de imunossupressão. Conclusão: a imunização de indivíduos imunossuprimidos resulta da interação entre fatores clínicos, assistenciais, estruturais, comportamentais e científicos. Favorecer o acesso e a realização oportuna da vacinação no SUS requer planejamento individualizado, integração entre os serviços de saúde, qualificação dos profissionais, organização do acesso aos imunobiológicos especiais e ampliação da produção de evidências aplicáveis aos diferentes perfis de imunossupressão.