Abstract
O artigo analisa como as vulnerabilidades sociais e juvenis presentes em determinados territórios interferem no cotidiano pedagógico das escolas públicas e discute o papel da gestão escolar na construção de resultados educacionais significativos. Parte-se da compreensão de que vulnerabilidade não constitui característica individual do estudante nem determina seu percurso escolar, mas expressa condições sociais, econômicas, territoriais e institucionais que podem restringir oportunidades de acesso, permanência e aprendizagem. Realizou-se revisão bibliográfica de abordagem qualitativa e análise documental de estudos sobre desigualdade educacional, juventudes, território e gestão escolar, além de dados recentes do IBGE, Inep e UNICEF e da legislação educacional brasileira. A análise foi organizada em cinco eixos: território e oportunidades educacionais; juventudes e relação com a escola; frequência e permanência; gestão orientada por evidências; e articulação intersetorial. Os resultados indicam que a escola pode tanto reproduzir desigualdades quanto criar mecanismos de proteção e ampliação das oportunidades educacionais. Conclui-se que uma gestão comprometida com resultados significativos precisa combinar altas expectativas de aprendizagem, acompanhamento sistemático, recuperação das aprendizagens, busca ativa, participação da comunidade, clima escolar acolhedor e articulação com a rede de proteção, sem reduzir a qualidade educacional a notas ou índices isolados.