Abstract
Os microplásticos emergiram como contaminantes ambientais de preocupação global, com presença ubíqua em ecossistemas aquáticos. No contexto angolano, a costa atlântica, rica em biodiversidade marinha e sustentada pela Corrente de Benguela, representa um ecossistema de elevada produtividade biológica, mas igualmente vulnerável à poluição por plásticos. Esta revisão sistemática objectivou sintetizar o conhecimento actual sobre a presença, fontes e implicações ecotoxicológicas dos microplásticos em ambientes marinhos e costeiros de Angola. Foram analisados estudos publicados entre 2015 e 2026 em bases de dados internacionais (Web of Science, Scopus, PubMed, ScienceDirect) e repositórios nacionais angolanos. Os resultados indicam que, embora a investigação sobre microplásticos em Angola seja incipiente, as primeiras amostragens realizadas pelo navio de investigação norueguês Dr. Fridtjof Nansen (2017) confirmaram a presença de microplásticos nas águas angolanas. As principais fontes identificadas incluem o descarte inadequado de resíduos sólidos urbanos, escoamento de efluentes domésticos e industriais, actividades pesqueiras e transporte oceânico de longo alcance. Os polímeros predominantes são o polietileno e o polipropileno, com fibras e fragmentos como morfologias mais comuns. As implicações ecotoxicológicas abrangem bioacumulação em organismos filtradores, peixes e mamíferos marinhos, estresse oxidativo, disrupção endócrina, efeito cavalo de Troia na adsorção de metais pesados e compostos orgânicos persistentes e potencial biomagnificação ao longo da cadeia trófica. Recomenda-se o desenvolvimento de programas de monitoramento nacional, harmonização metodológica e fortalecimento da governação ambiental costeira para mitigar os impactos dos microplásticos no ecossistema marinho angolano.