Abstract
No intuito de analisar a tensão entre a tutela da afetividade e a preservação da segurança jurídica no Direito das Sucessões, este estudo traz à luz da discussão o reconhecimento da filiação socioafetiva póstuma e os riscos de fraude à reserva da legítima dos herdeiros necessários. Assim, como objetivo vem-se avaliar os pressupostos da socioafetividade e os riscos de insegurança sucessória em reconhecimentos póstumos, identificando o rigor probatório exigido para impedir a instrumentalização patrimonial da parentalidade. A metodologia explicativa proveniente de uma pesquisa bibliográfica e qualitativa fundamentou a temática da filiação socioafetiva no ordenamento pátrio e seus reflexos sucessórios decorrentes da declaração tardia. Na análise do instituto da posse do estado de filho e da atuação do Poder Judiciário como filtro de moralidade diante da ausência de declaração expressa em vida, vê-se, no rigor probatório e no planejamento sucessório preventivo, um caminho eficaz para mitigar a "mercantilização do afeto" e harmonizar a igualdade entre os filhos com a segurança jurídica sucessória.