Abstract
A violência contra a mulher (VCM) constitui um grave problema de saúde pública e persistente violação dos direitos humanos, marcada pela desinformação generalizada e por barreiras socioculturais que fragilizam a Lei Maria da Penha. O presente artigo descreve um projeto de extensão universitária intersetorial, articulando Saúde, Educação e Direito, com o objetivo de promover ações de educação em saúde para o enfrentamento da VCM em nove escolas municipais de Trindade (GO), envolvendo crianças, adolescentes e estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), em territórios de vulnerabilidade social. As ações consistiram em palestras expositivas dialogadas e metodologias ativas, com destaque para dinâmicas de problematização, orientadas pelos referenciais da Saúde Coletiva, especialmente Integralidade do Cuidado, Intersetorialidade e Gênero. A experiência evidenciou lacunas no conhecimento sobre os mecanismos de proteção da Lei Maria da Penha e a persistência de crenças socioculturais que naturalizam violências moral e psicológica. A articulação intersetorial mostrou-se um dispositivo relevante no contexto escolar, ao favorecer o reconhecimento do agravo, a problematização de discursos naturalizados e o fortalecimento da rede de proteção. O relato indica a educação em saúde como estratégia de prevenção primária e letramento de gênero no enfrentamento da violência contra a mulher.