Abstract
Este ensaio teórico analisa o imperativo da felicidade na sociedade contemporânea, explorando como o constante questionamento sobre uma vida feliz revela as dinâmicas de subjetivação e os modos de laço social atuais. A discussão articula os conceitos de mal-estar, sofrimento e sintoma à tese benjaminiana do empobrecimento da experiência, sustentando a hipótese central de que a busca compulsiva pela felicidade surge como um sintoma social decorrente da perda da experiência autêntica e do declínio das matrizes simbólicas coletivas. Diante da impossibilidade de construir narrativas compartilhadas para elaborar a dor, o sofrimento é privatizado e o mal-estar é convertido em demanda de consumo de dispositivos de bem-estar. Por fim, ressalta-se a dimensão política do sofrimento, argumentando que o mal-estar não deve ser reduzido a patologias, mas reconhecido como o elemento propulsor indispensável para a crítica e a reinvenção da existência do sujeito na cultura.