Abstract
O melanoma cutâneo representa uma das neoplasias dermatológicas de maior relevância clínica em razão de seu elevado potencial metastático e da influência direta do diagnóstico precoce sobre a sobrevida dos pacientes. Nesse contexto, a identificação de biomarcadores genéticos tem ampliado as possibilidades de detecção em estágios iniciais, favorecendo abordagens diagnósticas mais precisas e individualizadas. Este artigo tem como objetivo analisar as contribuições dos biomarcadores genéticos para o diagnóstico precoce do melanoma cutâneo, destacando seu papel na estratificação de risco, na caracterização molecular das lesões e no suporte à tomada de decisão clínica na dermatologia de precisão. A discussão fundamenta-se em evidências científicas recentes acerca das alterações genéticas associadas à tumorigênese melanocítica, bem como dos avanços em técnicas de sequenciamento molecular e medicina personalizada. A literatura indica que a integração entre dados genômicos, avaliação clínica, dermatoscopia, histopatologia e métodos diagnósticos complementares pode aumentar a precisão da investigação de casos selecionados, sobretudo em lesões melanocíticas ambíguas e em indivíduos com suspeita de predisposição hereditária. Entretanto, os biomarcadores atualmente disponíveis não substituem o exame clínico, a dermatoscopia e a avaliação histopatológica, e sua utilidade varia conforme a finalidade diagnóstica, prognóstica ou preditiva. Conclui-se que a incorporação criteriosa de biomarcadores genéticos à prática dermatológica representa uma estratégia promissora para fortalecer a prevenção secundária, aperfeiçoar a estratificação de risco e consolidar a dermatologia de precisão, desde que sustentada por validação clínica, padronização laboratorial e interpretação multiprofissional.