Abstract
A consciência fonológica integra as habilidades de literacia emergente associadas à aprendizagem inicial da leitura e da escrita. Embora intervenções intencionais possam favorecê-la, a existência de evidências não garante sua incorporação sustentada ao cotidiano da Educação Infantil. Este artigo analisa como Brasil, Portugal, Estados Unidos e Inglaterra traduzem conhecimentos relacionados à consciência fonológica em orientações curriculares, formação profissional e mecanismos de apoio à prática. Realizou-se revisão narrativa comparativa com análise documental e seleção intencional de estudos empíricos, revisões e documentos oficiais. A síntese considerou evidência científica, currículo ou política, formação docente, conhecimento profissional, prática pedagógica, recursos, acompanhamento e implementação. No Brasil, os documentos contemplam rimas, aliterações e sons da língua, mas não permitem inferir implementação uniforme. Em Portugal, as orientações explicitam a consciência fonológica e estudos relacionam formação, crenças e práticas. Nos Estados Unidos, o Head Start oferece referenciais e recursos, enquanto a literatura sobre desenvolvimento profissional ressalta o coaching. Na Inglaterra, o ensino sistemático de phonics recebe apoio institucional, embora phonics não seja equivalente à consciência fonológica. A síntese sugere que a passagem da evidência à prática é favorecida por formação, materiais, tempo, planejamento, apoio e acompanhamento. A comparação não sustenta um ranking entre países, mas evidencia diferentes formas de organizar a implementação educacional.