Abstract
A avaliação educacional constitui um dos principais instrumentos para acompanhar e promover a aprendizagem, desempenhando papel fundamental na organização do processo de ensino. Apesar dos avanços teóricos sobre avaliação formativa, ainda persistem práticas avaliativas centradas na classificação e na mensuração do rendimento escolar, evidenciando uma lacuna entre a produção científica e a prática pedagógica. Diante desse cenário, este artigo tem como objetivo compreender as contribuições da avaliação formativa para o processo de ensino-aprendizagem, analisando os desafios de sua implementação frente à predominância da avaliação classificatória. Trata-se de pesquisa qualitativa, descritiva, de natureza bibliográfica, fundamentada na análise crítica da literatura nacional e internacional de autores como Luckesi, Hoffmann, Perrenoud, Libâneo, Bloom, Freire, Haydt, Black e Wiliam e Heritage, cujas contribuições possibilitam compreender a evolução histórica das concepções de avaliação e os princípios que sustentam a avaliação formativa. Os resultados evidenciam que a avaliação formativa se organiza a partir de categorias que expressam diferentes dimensões do processo de aprendizagem e da prática pedagógica, destacando-se o feedback, a autorregulação da aprendizagem, a cultura da nota e a mediação docente. O feedback aparece como elemento fundamental para orientar os estudantes sobre os seus avanços e dificuldades, enquanto a autorregulaçãao evidencia a participação mais ativa do aluno no acompanhamento e na construção de sua própria aprendizagem. A categoria cultura da nota revela, por sua vez, os desafios ainda presentes na superação de práticas avaliativas centradas na classificação e no resultado quantitativo. Já a mediação docente destaca o papel do professor na interpretação das aprendizagens, na reorganização das estratégias pedagógicas e na tomada de decisões a partir das necessidades dos estudantes. Nesse sentido, embora a avaliação formativa favoreça o acompanhamento contínuo e a aprendizagem significativa, sua consolidação ainda encontra obstáculos relacionados às concepções tradicionais de avaliação, às políticas de avaliação em larga escala, às condições de trabalho docente e à necessidade de formação continuada. Conclui-se que a superação do paradigma classificatório exige mudanças pedagógicas, institucionais e culturais, de modo que a avaliação seja compreendida como um processo permanente de mediação, reflexão e construção do conhecimento, contribuindo para uma educação mais inclusiva, democrática e comprometida com a aprendizagem dos estudantes.