Abstract
Este artigo apresenta o Oriki Genético como proposição conceitual com potencial programático para o campo das políticas culturais Sul-Sul. Fundamentado em abordagem qualitativa de natureza teórico-conceitual, o estudo articula autores dos campos do patrimônio imaterial, da identidade diaspórica, da afrocentricidade e das políticas culturais comparadas, argumentando que a ressignificação dos testes de ancestralidade genética a partir das cosmopercepções africanas pode operar como matriz interpretativa de reinscrição identitária e como ferramenta de cooperação horizontal entre comunidades afrodiaspóricas do Sul Global. O conceito de Oriki Genético — inspirado na tradição iorubá do oríkì — propõe deslocar os dados genéticos da lógica biomédica para o campo das políticas culturais participativas, compreendendo o corpo negro como território de memória e o DNA ancestral como patrimônio imaterial em construção. A análise demonstra como esse dispositivo pode orientar programas de memória transnacional, protocolos éticos de soberania de dados e redes de genealogia afrodiaspórica no interior das arquiteturas cooperativas do Sul Global, ao mesmo tempo em que examina criticamente seus limites quanto ao risco de essencialização biológica e à dependência de corporações tecnológicas.