Abstract
O presente artigo analisa as dinâmicas didáticas e os desafios epistemológicos inerentes à transição de um modelo de planificação transmissivo, baseado em fichas de trabalho formatadas, para uma pedagogia da infância assente em projetos gerados a partir dos interesses emergentes das crianças. O estudo foca-se na formação inicial de educadores no âmbito da unidade curricular de Práticas Pedagógicas no ensino superior em Angola. Adotando uma abordagem qualitativa de matriz interpretativa e cariz analítico-documental, a investigação cruza as diretrizes da Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino (Lei n.º 32/20) e as metas do Decreto Presidencial n.º 107/24 com a literatura científica publicada no último quinquénio nas bases de dados SciELO, Scopus e Google Académico. Os resultados revelam que o desinvestimento nas fichas de trabalho exige o desenvolvimento de competências complexas de documentação pedagógica e escuta ativa por parte dos estudantes em formação. Conclui-se que a consolidação da metodologia de projeto na formação inicial constitui o principal vetor para a rutura com a racionalidade técnica e para a edificação de uma práxis educativa contextualizada, capaz de responder com rigor científico à agência das crianças e às especificidades socioculturais do ecossistema educacional angolano.